O planejamento do Setor Espacial Brasileiro para o segmento civil é estruturado por um arcabouço de instrumentos que operam em diferentes níveis, desde o nível estratégico ao operacional. Este arcabouço assegura a coordenação e a implementação de políticas e programas voltados ao desenvolvimento do setor espacial nacional.

A PNDAE, instituída pelo Decreto nº 1.332, de 8 de dezembro de 1994 , define objetivos e diretrizes estratégicas que fundamentam a formulação do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).
A PNDAE se constitui como a política espacial do Brasil definindo como objetivo geral:
“promover a capacidade do país para, segundo conveniência e critérios próprios, utilizar os recursos e as técnicas espaciais na solução de problemas nacionais e em benefício da sociedade brasileira”.
A partir desse objetivo, compreende-se que o Brasil busca autonomia na tomada de decisões e na aplicação da tecnologia espacial para atender às suas necessidades específicas.
Para alcançar esse objetivo geral, a PNDAE define objetivos específicos, como:
A PNDAE ainda preconiza um conjunto de diretrizes que abrangem diversos aspectos do desenvolvimento do setor espacial:
A PNDAE também define outras diretrizes gerais para o desenvolvimento do setor espacial, como a formação de recursos humanos qualificados, a promoção da cooperação internacional, a integração de universidades e empresas, o desenvolvimento de sistemas espaciais com objetivos de capacitação tecnológica e industrial, a difusão das aplicações espaciais, a manutenção da infraestrutura e a disseminação de informações técnico-científicas.
Segundo a PNDAE, as atividades espaciais de um país estruturam-se em programas compostos por subprogramas, projetos e ações de caráter continuado, formando o que se convencionou chamar de Programa Espacial Brasileiro. Nesse contexto, o PNAE corresponde ao conjunto de iniciativas planejadas pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para um horizonte de dez anos, estabelecendo a estratégia necessária para que os objetivos gerais e específicos da Política Espacial sejam efetivamente alcançados nesse período.
O Programa Espacial Brasileiro deve estar orientado para atender às demandas concretas da sociedade, e o PNAE é o instrumento que viabiliza esse propósito. Trata-se de um capítulo essencial da infraestrutura nacional, pois os produtos, aplicações e serviços derivados de sistemas espaciais sustentam praticamente todas as atividades econômicas do país. Seus impactos abrangem setores como comunicação, logística, mobilidade urbana, defesa civil, mineração, meio ambiente, saúde, educação e ciência. Além disso, desempenham papel estratégico na agropecuária de precisão, na consolidação das cidades inteligentes, no aproveitamento das energias renováveis e na transição para uma sociedade mais digital, inclusiva e sustentável.
Além dos instrumentos de planejamento específicos do setor espacial, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 165, estabelece três mecanismos fundamentais para a gestão pública: o PPA, a LDO e a LOA. Esses instrumentos se articulam para compor o orçamento público e garantir a execução das políticas governamentais em diferentes esferas. O PPA consolida o planejamento da administração pública, definindo diretrizes, objetivos e metas para despesas de capital e programas de duração continuada em um horizonte de quatro anos. A LDO, elaborada anualmente após a aprovação do PPA, orienta a política fiscal, estabelece metas e integra o PPA à LOA, além de tratar de alterações tributárias e da aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. Já a LOA corresponde ao orçamento anual da administração pública, devendo seguir as diretrizes da LDO e cumprir os objetivos definidos no PPA. A execução orçamentária, iniciada após a sanção presidencial da LOA, é sustentada por um arcabouço legal que inclui a própria Constituição, a Lei nº 4.320/1964, a Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) e demais normas aprovadas pelo Legislativo.
Nesse contexto, também são instrumentos de planejamento importantes que, junto às políticas e programas, devem ser considerados para o processo de formulação e análise da Política Espacial Brasileira.